Digital Product Passport: A Revolução Sustentável no Rastreamento e Autenticidade de Produtos
- Inovação
- Rastreabilidade
- Sustentabilidade
Os Digital Product Passports estão sendo implantados em países da União Europeia e prometem ditar uma nova era sustentável para a moda mundialmente. Entenda mais sobre a tecnologia nesse artigo.

O Acordo de Paris, de 2015, determinou uma série de objetivos e parâmetros a serem seguidos pelas Nações a fim de mitigar os danos causados pela mudança climática, assim como novas formas de adaptação em meio a essa crise ambiental. A União Europeia vem adotando, desde então, inúmeras legislações e regulações, algumas que já estão em vigor, como parte das medidas acordadas pelo Acordo de Paris.
Leis como a Corporate sustainability due diligence, aprovada em julho deste ano e que requer que empresas identifiquem e eliminem situações de trabalho escravo ou de impactos ambientais, e a Deforestation-free regulation, que trata sobre a proibição de importação e comércio de produtos oriundos de processos de desmatamento, fazem parte desta nova onda de leis que surgiu após o Acordo de Paris.
Uma dessas leis, também aprovada em julho deste ano, é a Ecodesign for Sustainable Products Regulation, que formaliza os novos requerimentos que os produtos comercializados na União Europeia (não apenas produtos têxteis) deverão seguir, como proibir a destruição de produtos não vendidos por marcas e sistemas de rastreabilidade por meio de ID’s digitais. Esse último exemplo se chama Digital Product Passport, uma nova tecnologia a ser explicada a seguir.
O que é um Digital Product Passport?
O Digital Product Passport, ou DPP, poderia ser traduzido como “passaporte digital do produto”, o que resume basicamente o que ele é. O DPP é uma “etiqueta digital” do produto, podendo ser um QR code, uma smart label, um NFC, ou qualquer outro tipo de tecnologia escaneável, que você possa acessar e ver todas as informações daquele produto.
O DPP funciona com a tecnologia blockchain, um sistema de informações infungíveis, rastreáveis e que não são possíveis de deletar, formando uma cadeia de dados de livre acesso a todos. Dessa forma, diversas informações podem ser registradas nas blockchains e que serão impossíveis de serem apagadas depois.
Utilizando do blockchain, os DPPs têm a capacidade de registrar todas as etapas existentes na vida útil de um produto, desde a sua concepção e produção, até a sua venda, consumo e descarte. Essas informações estarão dispostas ao consumidor, que deseja saber a origem do produto, e à marca, que manterá um contato com o produto pós-venda. Para a indústria têxtil e o mercado da moda, essa tecnologia será muito significativa.
Muitas marcas de moda já estão incorporando essa tecnologia em seus produtos, como a Prada e suas etiquetas em RFID (embora seu objetivo não tenha sido a sustentabilidade e sim inferir autenticidade no produto), e muitas empresas que trabalham com blockchain estão desenvolvendo sistemas relacionados à supply chain transparente na indústria têxtil e de moda, como a Eon e a Arianee, que já prestam serviços para diversas grifes mundo afora, e a Y-Human, aqui no Brasil, que está começando a trabalhar as blockchains em uma vertente sustentável, para ser implementada no futuro por outras marcas.
A lei sobre a obrigatoriedade dos Digital Product Passports já foi aprovada, e as empresas tem até fevereiro de 2027 para se adaptar, antes que ela entre em vigor oficialmente.
Quais são os benefícios do Digital Product Passport?
Os DPP’s são sistemas de blockchain que registram qualquer movimentação do produto, desde a sua concepção, produção, venda, consumo e descarte. Os processos da cadeia produtiva são registrados, assim como o consumo e descarte feitos pelo cliente. Essas informações são acessíveis a todos, tanto ao consumidor quanto à empresa.
Por ser um sistema de blockchain, as informações registradas não poderão ser apagadas ou alteradas, apenas adicionadas sequencialmente. Essa qualidade permite maior transparência sobre os processos e mais segurança ao consumidor.
Os Digital Product Passports contêm informações como: nome do produto, serial number, ciclo de vida, composição, cuidados e conservação, especificações técnicas, instruções de uso e descarte, gasto de energia, etc. Para conter tudo isso, é de responsabilidade da empresa de prover essas informações mandatórias sobre o produto e sua produção.
Com os DPP’s, o mercado e os consumidores se beneficiarão. Veja alguns dos pontos:
- incentivo à economia circular e à redução de danos ao meio ambiente;
- informações mais completas sobre o produto acessíveis ao cliente;
- certificado de autenticidade da peça;
- possibilidade da geração de novos negócios, principalmente com comércio de segunda-mão
Esses são alguns dos principais pontos levados em consideração quando o assunto é DPP. Percebe-se que não apenas o impacto será positivo ao meio ambiente, com o estímulo a economia circular e, logo, a redução na produção, mas, também, será positivo ao consumidor que deseja assegurar que sua roupa é autêntica e original.
Qual é o impacto do DPP?
Apenas obrigatório na União Europeia, os DPPs são uma inovação no design de produtos que visa ser adotada mundialmente, a fim de definir novos parâmetros a respeito da cadeia de produção, comercialização e o impacto ambiental.
Por enquanto, exportadores não precisam se preocupar em ir atrás de QR codes e smart labels para etiquetar seus produtos. Mas apenas por enquanto! Porque após 2027, marcas do mundo inteiro terão que se adaptar a essa mudança, assim como consumidores que importam produtos da UE terão que se acostumar com a digitalização de suas roupas.
Por esses motivos, é importante que as marcas já comecem a pesquisar e aprender sobre a tecnologia que revolucionará o mercado da moda, e a estudar formas possíveis de implementá-la no cenário nacional.
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