Next-Gen Materials: A Revolução Sustentável que Transforma a Indústria da Moda
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Os next-gen materials são a promessa para um futuro mais sustentável e responsável na indústria têxtil e de moda, mas o que exatamente são eles? Leia nesse artigo para saber tudo sobre esses materiais e como eles causarão impacto no mercado.

A indústria da moda vem a cada ano se reinventando e aplicando novas tecnologias em seus processos criativos, envolvendo desde a etapa da produção até o seu descarte. Uma área que está em constante processo de inovação é a de desenvolvimento de novos materiais têxteis a partir de origens naturais, evitando produtos sintéticos ou de extração animal. Essa tendência tem nome: next-gen materials.
Os next-gen materials podem ser traduzidos como “materiais da próxima geração” e estão sendo desenvolvidos há mais de dez anos, com centenas de patentes presentes no mercado ao redor do mundo e muitos tecidos já sendo utilizados por marcas de moda em suas coleções. É a próxima grande promessa da moda para se comprometer com um mundo mais sustentável.
Por que os next-gen materials?
Ao longo da história, os seres humanos se beneficiaram das fibras têxteis disponíveis na natureza para produzir suas roupas, utilizando o algodão, a lã e a seda como as principais matérias-primas, além do couro que era utilizado para outras peças. Depois que vieram as revoluções industriais e a evolução dos químicos dentro da indústria têxtil, esses materiais começaram a ser substituídos, com exceção do algodão, pelo acrílico, poliéster e pelo poliuretano, em ordem respectiva.
Com o passar dos anos, o uso desses materiais começou a ser questionado devido ao seu caráter insustentável e de pouca reutilização da fibra que era descartada, no pós-consumo. Para resolver isso, muitas práticas de circularidade e fibras sustentáveis começaram a ser desenvolvidas, e é aí que os next-gen materials entram
Os next-gen materials são os futuros materiais têxteis que serão utilizados para contemplar, ou, até mesmo, substituir as fibras e filamentos de origem natural convencional e sintética, os “current-gen materials”. Os engenheiros têxteis que pesquisam e desenvolvem esses materiais estão empenhados em simular ao máximo as características das fibras que já são utilizadas, nos aspectos de textura e aparência.
De que são feitos os next-gen materials?
São muitas as origens de matéria-prima para os next-gen materials, e cada uma se comporta de um jeito diferente para com o artigo a ser reproduzido. Atualmente, as mais utilizadas são plantas (incluindo algas e cogumelos), micróbios, micélios, células animais e misturas. O uso de materiais reciclados também entra como matéria-prima para os next-gen. Esses materiais são utilizados, em ordem decrescente, para os segmentos do couro, da seda, lã, de pelos e peles exóticas.
Alguns têxteis são mais utilizados para simular determinados materiais do que outros, como, por exemplo, os micélios e algumas fibras extraídas de plantas para fazer um “couro” vegetal. Diversos materiais reciclados têm dificuldade em serem utilizados para materiais mais finos, pois sua fiação não permite a espessura necessária, então, por isso, são empregados em artigos que simulam a lã.
Esses têxteis são biodegradáveis de alta performance e animal-free em seus testes e usos (as células animais são extraídas sem causar dano aos portadores), e a tecnologia que os cientistas usam para atingir a esses resultados é a de biomimética, onde as propriedades naturais são replicadas artificialmente, por meio da ação humana.
Quem está fazendo os next-gen materials no Brasil?
Aqui, no Brasil, o desenvolvimento dos next-gen materials ainda é lento, porém crescente.
A empresa brasileira mais antiga registrada nesse ramo inovador é a EcoSimple, que está no mercado desde 2010 e trabalha com materiais reciclados, fornecendo tecidos similares aos feitos com lã. Para segmentos da seda, não foram encontradas empresas que trabalham com alternativas sustentáveis.
Dentro do segmento de couro, no entanto, é onde mais aparecem as novas empresas. A Flavia Amadeu, fundada em 2016, com sua patente LaVeg, trabalha com couro e peles exóticas derivadas de plantas da Amazônia, assim como a BeLeaf, que já teve seus tecidos utilizados por marcas como Misci e Lenny Niemeyer e que também trabalha com plantas nativas do Brasil. Por último, a mais recente é a MABE Bio, de 2022, com o tecido Angico Leather, simulando couro e peles exóticas por meio de derivados de plantas.
As patentes ainda são poucas, mas elas estão surgindo e já sendo utilizadas por marcas de luxo brasileiras comprometidas com sustentabilidade, que reconhecem o potencial dessas fibras e seu impacto positivo no planeta.
É importante ressaltar que para o progresso coletivo dos next-gen materials, a participação integrada dos stakeholders é fundamental. Inovadores, investidores, indústria e marcas de moda precisam trabalhar coletivamente para fomentar a produção desses novos materiais, pois a responsabilidade de trazê-los para o mercado e os tornarem acessíveis é de todos. Dessa maneira, os next-gen materials se tornam uma alternativa viável, e mostram que a indústria da moda pode sim ser sustentável.
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