Sumário

Reciclagem pré-consumo x pós-consumo: saiba de onde vem o resíduo Reciclagem mecânica x reciclagem química: como é possível transformar os resíduos têxteis? Como etiquetar produtos reciclados? Compartilhe esse conteúdo! 

Guia da Reciclagem Têxtil: tudo que você precisa saber sobre para aplicar na sua confecção 

15/09/2025
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  • Educativo
  • Sustentabilidade

A reciclagem têxtil é um processo que acontece no fim da vida útil de resíduos têxteis com o objetivo de transformá-los em novos materiais aptos a serem utilizados na cadeia produtiva. Entenda mais sobre como funciona a reciclagem têxtil neste artigo.

Você muito provavelmente já sabe qual que é a definição de reciclagem, como ela funciona e com certeza já deve ter reciclado algum resíduo sólido na sua vida. Separando lixo doméstico ou jogando embalagens fora em lixeiras na rua, esse é o básico da reciclagem que todo cidadão deveria conhecer e seguir para evitar que os espaços públicos fiquem sujos e que seja possível o retorno desses materiais para os ciclos de produção. 

Entender o básico de reciclagem é fácil, mas esse assunto se complica quando segmentamos os materiais para a reciclagem. Para além das lixeiras clássicas de metal, vidro, papel e plástico, existe a reciclagem de baterias, insumos hospitalares, eletrônicos em geral, líquidos e, obviamente, têxteis. 

A demanda de reciclagem para produtos como baterias, eletrônicos e insumos hospitalares acaba sendo maior do que a de têxteis pois eles são considerados materiais de alto risco se misturados com outros, como o plástico, por exemplo.  

Têxteis, normalmente, não são vistos como essenciais na hora da triagem de resíduos sólidos para reciclá-los por diferentes motivos, e isso é perceptível quando vemos os dados de reciclagem têxtil: de acordo com uma pesquisa publicada no Journal of Cleaner Production, apenas 1% do material têxtil usado para roupas é utilizado na produção de novas roupas. 

Existem muitos motivos para isso acontecer: falta de informação por parte dos consumidores, poucos pontos de descarte corretos, maquinário escasso para a reciclagem dos resíduos e baixa qualidade do material final reciclado. Por conta disso, a reciclagem têxtil deixa de ser uma proposta viável para empresas do varejo devido ao seu custo alto e à necessidade de misturar com outras fibras, que acaba sendo uma alternativa por vezes nociva aos princípios de reciclabilidade. 

Portanto, o cenário da reciclagem têxtil, no Brasil, é composto de downcycling, fiação e, por vezes, construção de novos tecidos, que são empregados mais por marcas de grife do que no varejo acessível.  

Às vezes, a reciclagem têxtil é confundida com o upcycling na criação de novas roupas, e isso precisa ser bem esclarecido: quando o têxtil é reciclado, ele passa por uma série de processos que visam transformá-lo em fonte de matéria-prima. O upcycling pode ser, sim, o resultado de uma reciclagem têxtil, quando o produto é feito a partir dessa nova matéria-prima. Caso o upcycling seja apenas o reuso de tecidos descartados na construção de uma nova peça, não é considerado reciclagem têxtil. 

Por mais que o cenário atual não seja tão animador, algo precisa ser feito: dados da ABIT apontam que, em 2022, cerca de 20% dos tecidos utilizados em confecção são desperdiçados nos processos de corte, gerando cerca de 295 mil toneladas de resíduos têxteis pré-consumo ao ano. 

Com a produção de vestuário em massa gerada pela demanda do fast-fashion, a reciclagem têxtil deve emergir como estratégia para combater o avanço do número de resíduos têxteis descartados anualmente. Esse já é um modelo de negócio que vem sendo implantado no Brasil há alguns anos, tendo 21 empresas de reciclagem têxtil no país ao total. 

A demanda por produtos mais sustentáveis e empresas de reciclagem têxtil já existem, agora fica nas mãos de produtores de moda e confeccionistas de adotarem essas práticas nas suas produções. Continue lendo o artigo para conhecer mais a fundo como funciona a reciclagem têxtil e como você pode aplicá-la na sua confecção. 

Reciclagem pré-consumo x pós-consumo: saiba de onde vem o resíduo 

Antes da triagem dos resíduos têxteis para seguir no processo de reciclagem, saber a origem desse resíduo é importante para entender por qual método ele será reciclado.  

Os têxteis para reciclagem só podem ser divididos em duas categorias: os de pré-consumo e os de pós-consumo. 

Têxteis pré-consumo são aqueles gerados na fase de corte nas confecções e são os tecidos que nunca chegarão às lojas, tendo seu destino o descarte.  

Têxteis pós-consumo são as peças de vestuário que são descartadas pelo consumidor, normalmente no fim de sua vida útil, tendo o descarte como seu destino ou a doação para bazares e instituições de caridade, que podem, dependendo da qualidade da peça, terminar no lixo. 

Os têxteis pré-consumo são mais fáceis de separar por seu tipo, cor e composição, enquanto os têxteis pós-consumo não. Como a sobra do tecido de corte é uniforme e sem aviamentos, não há necessidade da etapa de descosturar a peça e remover seus acessórios, diferentemente de peças do vestuário que possuem diversos detalhes e que precisam ser levados em consideração na hora de fazer a seleção para a reciclagem. Além disso, a peça que foi usada pode estar em condições impróprias para manuseio e impossibilitada para reciclar. 

Por esses motivos, muitas empresas de reciclagem têxtil acabam trabalhando apenas com têxtil pré-consumo, sem aceitar roupas usadas como resíduo. Existem iniciativas de recolhimento de peças usadas como descarte para a reciclagem, como a Cotton Move e o Retalhar, que já fizeram parcerias com varejos de moda nacionais para estimular o consumo e descarte consciente em seus clientes, mas a maioria das peças que são descartadas são jeans, que é um material mais fácil de manusear do que outros artigos. 

Definindo quais são os tipos de têxteis descartados possíveis para a reciclagem, vamos entender quais são os tipos de reciclagem possíveis para transformá-los em novas fontes de matéria-prima. 

Reciclagem mecânica x reciclagem química: como é possível transformar os resíduos têxteis? 

Agora que se sabe a origem do resíduo têxtil, precisamos saber qual é o tipo de reciclagem indicado de acordo com o seu material. 

A reciclagem têxtil é dividida em duas categorias, de acordo com seus processos: reciclagem mecânica e reciclagem química. 

A reciclagem mecânica é a mais utilizada e tem como produto fibras desfibradas, que podem ser utilizadas na fiação de novos fios ou na produção de TNTs (tecidos não tecido). Geralmente, a qualidade desse produto é inferior em relação ao material original, sendo classificado como um downcycling. No caso de produção de vestuário, essas peças podem gerar um maior valor agregado, tornando-as um upcycling. 

Para fazer a reciclagem mecânica, é preciso separar os tecidos de acordo com seu tipo (estrutura do tecido), composição e cor. Têxteis pós-consumo já ficam mais difíceis de serem triados porque muitas das vezes não existem informações sobre sua composição, em caso de as peças perderem a etiqueta.  

A reciclagem química é destinada a têxteis com composição 100% sintética, como poliéster, poliamida e elastano. Aqui, também são separados por cor e composição, para, depois, passarem por um processo de regeneração química. Nessa fase, o têxtil é dissolvido e transformado em pequenos grânulos, chamados pellets, que podem ser destinados para áreas de engenharia ou extrusados em novos fios sintéticos.  

A qualidade do material proveniente da reciclagem química é consideravelmente maior que o da mecânica, sendo quase igual a qualidade do têxtil original. No entanto, é a menos praticada. 

Como etiquetar produtos reciclados? 

Agora que você já sabe como funciona a reciclagem dos produtos têxteis, suas variações e resultados, vamos entender como funciona a etiquetagem desses produtos, caso eles voltem para a cadeia têxtil. 

De alguns anos para cá, devido à crescente onda de consumidores preocupados com a sustentabilidade, muitas marcas começaram a lançar coleções cápsulas e produtos com materiais têxteis reciclados e, com isso, gera-se uma nova preocupação: como etiquetar esses produtos? 

O Apêndice A da Portaria nº118 aponta quais são as nomenclaturas permitidas para serem utilizadas nas etiquetas de composição dos produtos têxteis, restringindo o uso de nomes comerciais, patentes ou informações adicionais. Portanto, é proibida a adição de descrições como "reciclado" ou "sustentável" nas composições. 

Por isso que a triagem dos materiais pela sua composição, antes da reciclagem, é muito importante, pois é possível já saber de que fibra aquele têxtil foi composto, na pós reciclagem. Ah, e você pode veicular a informação de que o produto é reciclado através de uma tag removível na peça. 

Além dessa possibilidade, se você está incerto sobre a composição correta do produto, devido ao número de diferentes materiais presentes na composição, originários da reciclagem têxtil, é permitido o uso do termo "RESÍDUOS TÊXTEIS" para designar esses materiais, na etiqueta de composição. 

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