Dia Mundial do Meio Ambiente: práticas de moda circular para aplicar na sua produção
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Para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente, confira neste artigo algumas práticas de moda circular que você pode aplicar na sua produção têxtil.

No dia 5 de junho é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, uma data comemorativa criada pela ONU para conscientizar a população e buscar soluções para a preservação do meio ambiente, sendo sediada a cada ano em um país diferente, com um tema diferente.
A primeira edição aconteceu em 1972, durante a Conferência de Estocolmo e, desde então, muita coisa mudou em relação à preservação do meio ambiente e à conscientização sobre sustentabilidade, a partir do surgimento de novas pautas que ganharam destaque da mídia e de grandes setores da indústria, como a redução do uso de plásticos e a reciclagem de resíduos sólidos.
Os temas das últimas datas do Dia Mundial do Meio Ambiente refletem uma preocupação com o nível de produção excessiva de resíduos e o seu descarte indevido, problemas que diferentes segmentos da indústria estão tentando resolver por meio de estratégias na cadeia produtiva, sistemas inteligentes, modelos de economia circular, entre outras práticas.
As indústrias têxtil e de moda, é claro, não poderiam ficar de fora dessas mudanças. Muitas práticas de produção sustentável e de green supply chain vem sendo implantadas dentro da indústria, sendo uma grande parte delas referentes à ecodesign, moda autoral e o grande assunto do momento, moda circular. Se você é produtor de moda ou fornecedor, é importante se atentar sobre as tendências de circularidade na cadeia têxtil, pois elas serão cruciais para a gestão do seu negócio no futuro!
Mas não se preocupe, pois separamos as principais práticas de moda circular que estão sendo utilizadas hoje e que você já pode aplicá-las em seu negócio! Continue a leitura para saber mais.
Três caminhos para implantar a moda circular na sua produção têxtil
Use fibras recicladas
A principal dica para qualquer fornecedor ou distribuidor de moda que quer aplicar os princípios de moda circular na sua produção é: comece a usar fibras recicladas.
O uso de fibras recicladas é o principal exemplo de prática de circularidade na moda, indo além do uso de matérias-primas de menor impacto, materiais regenerativos ou tecidos de monomateriais (feitos com uma matéria-prima), pois elas são feitas a partir de resíduos e materiais têxteis descartados e que tiveram um outro destino: o retorno à cadeia têxtil.
É claro que trabalhar com fibras recicladas em coleções e produtos têxteis não é um trabalho fácil. Muitas das vezes, o material reciclado perde sua resistência e tenacidade quando comparado com outros outras composições, precisando ser misturado com fibras virgens para fortalecer o tecido. Por conta disso, alguns artigos têxteis não podem ser produzidos com as fibras recicladas, principalmente os que requerem um fio mais fino, limitando-se para um grupo seleto de confeccionados. Mesmo assim, o uso de fibras recicladas pode alavancar o seu negócio ao utilizar materiais inovadores, se destacando no mercado perante os concorrentes.
A reciclagem de fibras pode ser feita com resíduos têxteis pós-consumo, aqueles que foram descartados após serem comprados, ou resíduos pré-consumo, que são os tecidos e artigos têxteis que não foram distribuídos comercialmente. Embora os resíduos pós-consumo sejam maiores em volume do que os pré-consumo e sua condição física possa dificultar o processo da reciclagem, ambos os processos são fundamentais para a criação de novas fibras e tecidos sustentáveis e que se reintegrem à cadeia têxtil.
Para saber mais sobre fibras recicladas e sobre como etiquetá-las corretamente em suas roupas sustentáveis, confira o nosso artigo sobre etiquetagem em produtos reciclados!
Aplique a rastreabilidade na sua cadeia têxtil
Um conceito importante dentro da área de logística e da gestão da cadeia de suprimentos que ganhou destaque nos últimos anos dentro da indústria da moda é o de rastreabilidade, a capacidade de poder rastrear as etapas da produção de um artigo têxtil, desde a colheita da fibra até o seu descarte.
Aplicar a rastreabilidade em uma cadeia de produção têxtil é de suma importância para trabalhar com moda circular, já que o produto pode ser rastreado mesmo após o seu descarte, facilitando o seu pós-consumo e o direcionando para reciclagem ou para um consumo de segunda mão.
A rastreabilidade na indústria têxtil ganhou destaque após o decreto da União Europeia, do Ecodesign for Sustainable Products que formalizou a obrigatoriedade de etiquetas rastreáveis em seus produtos têxteis até o ano de 2027, os Digital Product Passports.
A principal ferramenta que está sendo aplicada nos processos da cadeia têxtil para obter a sua rastreabilidade é o blockchain, uma tecnologia de registro descentralizado, imutável e seguro, que permite a visualização contínua para distribuidores e consumidores das etapas da produção por meio de um QR code ou um código.
Devido à regulação que obriga a presença de DPP’s nos produtos têxteis na UE, muitos produtores fora do bloco econômico estão indo atrás de tecnologias de blockchain para aplicar a rastreabilidade em sua cadeia têxtil. Após a vigência do regulamento da UE, em 2027, não será permitida a entrada de peças de vestuário no bloco que estiverem sem a etiqueta rastreável, o Digital Product Passport, por isso, é importante que produtores e distribuidores de moda comecem a implantar estratégias de rastreabilidade em suas cadeias, antes que seja tarde!
No Brasil, a empresa Blockforce está desenvolvendo um sistema de blockchain aplicado para a cadeia têxtil e já conseguiu uma clientela considerável no mercado nacional: Riachuelo, A Fábula e Arezzo já estão testando suas ferramentas em pequenas coleções para avaliar sua escalabilidade e, no futuro, aplicar em toda sua cadeia.
Trabalhe com o deadstock
Por fim, uma estratégia que pode revolucionar a maneira que o seu negócio lida com o descarte e com os gastos na produção é trabalhar com o deadstock, ou “estoque morto”, em uma tradução literal, que nada mais é do que medir a quantidade de materiais não aproveitados na confecção e triar quais deles podem ser reutilizados em novos produtos.
O deadstock normalmente tem seu destino final o lixo ou, às vezes, com muita sorte, a reciclagem pré-consumo, quando esse material poderia estar sendo reutilizado na produção, seja para integrar em coleções já existentes, ou criando peças novas e exclusivas, virando uma possível estratégia de branding.
Esse é o caso da marca Cotopaxi, especialista em roupas e equipamentos outdoor, que começou a trabalhar com seu deadstock, mapeado pela empresa Aloquia, para a criação de novas mochilas feitas de patchwork, uma modelagem que trabalha com retalhos de tecidos criando padronagens únicas. Até mesmo a Shein está planejando em trabalhar com seu deadstock, almejando atingir 100% de circularidade até 2050.
São muitas ações e práticas diferentes para se trabalhar quando o assunto é circularidade e, mais especificamente, moda circular, mas é importante relembrar que seus objetivos só serão atingidos se toda a cadeia têxtil puder contribuir igualmente, assim como também é importante a conscientização dos consumidores sobre aquilo que eles estão comprando!
Aprofunde o seu conhecimento!

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