Couro vs. Sintéticos: Entendendo as Diferenças e Semelhanças
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O couro e suas versões artificiais são bem diferentes entre si. Veja neste artigo quais são suas propriedades e como etiquetá-los corretamente.

O couro é um dos materiais mais utilizados na confecção de artigos de luxo e de outros bens de consumo, indo desde os esportes e na moda, até o mercado automobilístico.
Sendo fabricado há mais de 7000 anos, o couro, hoje em dia, disputa lugar no mercado com suas alternativas sintéticas, feitas a partir de processos químicos, como as fibras de poliuretano (PU) e policloreto de vinila (PVC). Tal concorrência se mostra quando vemos que o número de exportações do couro, no Brasil, diminuiu em 8,3% no ano de 2023.
Essas duas fibras são apenas alguns exemplos dos diversos materiais têxteis existentes no mercado e outros que estão surgindo a partir de pesquisa e inovação na área. Os seus objetivos são os de imitar a aparência e textura do couro, proveniente do animal, mas sem os processos que envolvem a fabricação do mesmo.
Vendo como esses materiais se diferenciam, vamos entender quais são as suas propriedades e como é o seu processo de fabricação.
Couro
O couro é feito a partir da pele de animais, que passa por processos de curtimento, tingimento, engraxe e acabamento, até ser vendida para confecções e outros usos do artigo. É um material extremamente durável, flexível e resistente: é possível manter uma peça de couro por diversos anos sem que ela se desfaça.
Sua fabricação pode ser feita a partir de diversas origens da espécie do animal, como a bovina, suína, equina ou ovina. Quando se extrai a matéria-prima, a pele vai para o processo de curtimento, tratando o couro cru com o objetivo de deixá-lo utilizável para outros segmentos da indústria. O curtimento limpa, retira impurezas e adiciona conservantes no couro, além de outros processos mais específicos que envolvem a depilação e acidificação do material.
O tingimento segue como um processo similar ao de outras fibras e filamentos têxteis, podendo usar corantes ácidos, básicos ou de complexos metálicos. O engraxe é uma etapa característica à fabricação de couro dar brilho ao material, e podem ser empregados óleos de origem natural, sintética ou mista. O acabamento pode lhe dar um efeito especial, envolvendo diferentes agentes químicos.
O couro autêntico é aquele oriundo da pele do animal, que passa por todas essas etapas, algumas que chegam até mesmo a serem exclusivas. Por esses motivos, a experiência com o couro chega a ser única e diferente da de fibras têxteis convencionais, e a busca por alternativas similares pode talvez não atingir as expectativas do consumidor.
É claro que existem as preocupações com os direitos dos animais em relação à sua fabricação, mas já foi comprovado que quase toda a produção de couro de origem bovina e suína aproveita dos descartes feitos pela indústria agropecuária, que se não fossem pelos produtores, acabaria virando lixo. Isso também vale para o couro de origens exóticas, cuja extração em terras de populações nativas promove o equilíbrio ecológico e econômico da região, evitando a exploração em massa dos animais e da terra por parte de grandes empresas.
Policloreto de vinila
O policloreto de vinila, conhecido popularmente como PVC, é a imitação de couro mais conhecida e barata vendida atualmente. Seu descobrimento é datado desde o século XIX tendo a sua fabricação iniciada no século XX. Agora, o PVC é uma das principais matérias-primas para a produção do corino, o “couro artificial” mais conhecido no mercado.
O PVC é um termoplástico semicristalino, sendo um dos polímeros mais comumente fabricados. Além de ser usado na moda, é bastante aplicado nas áreas de construção civil, medicina e no setor automotivo. Quando simulando o aspecto do couro, o PVC se torna uma opção mais leve e confortável na fabricação de carros.
Para a moda, o PVC se manifesta de diversas formas: além de imitar o couro, a fibra pode ter o aspecto de vinil, o que possibilita outras aplicações em roupas e acessórios.
Há, no entanto, algumas divergências sobre os impactos ambientais da fabricação e consumo do policloreto de vinila. Uma reportagem da Vogue Business, que diz sobre a volta dos sapatos de “gelatina” (aqueles similares às Melissas), aponta um potencial perigo para o aumento da produção de PVC, dizendo que o material é cancerígeno e não reciclável, além de emitir vários poluentes quando incinerado.
Uma resposta à essa reportagem foi feita pela Vinyl Verified, setor da Vinyl Institute que busca combater desinformações sobre o PVC. No texto, são mostrados contrapontos de que o polímero é reciclável (embora não seja biodegradável) e que ele não é cancerígeno.
Enquanto as pesquisas evoluem e as regulações são criadas, o PVC continua sendo um material bastante utilizado para diversos usos, incluindo o de substituir o couro. É sempre importante lembrar que o couro legítimo terá propriedades que outras alternativas não conseguem replicar ou, pelo menos, ainda não conseguem.
Poliuretano
O poliuretano (PU) é uma alternativa ao couro legítimo e ao PVC. Ambas as fibras possuem aplicações parecidas, devido ao seu caráter de resistência e impermeabilidade, porém, algumas propriedades as diferem uma da outra. O PU, por sua vez, chega a ser mais resistente e flexível do que o PVC.
É um polímero formado por unidades de uretano, desenvolvido no início da Segunda Guerra Mundial, como substituto da borracha. Este, na verdade, é ainda o principal uso do poliuretano, sendo a imitação de couro apenas uma das suas publicidades.
Na moda, o poliuretano é utilizado na confecção de calçados e acessórios, substituindo a borracha e o próprio couro. É altamente utilizado na moda fitness, devido ao seu caráter excepcionalmente elástico, o que o leva a ser empregado em 85% da massa de fibras de elastano, muito utilizada em diversos segmentos da moda, principalmente no jeans.
O principal ponto negativo do poliuretano é que ele não é biodegradável (assim como o PVC), e, por ser utilizado em tanta quantidade na indústria têxtil, muito do que é descartado acaba não se decompondo. E, assim como em todos os polímeros, são liberados poluentes tóxicos e possivelmente cancerígenos durante a sua fabricação.
O lado bom é que, quando descartado corretamente, ele pode ser reciclado, e até ser usado como fonte de energia em incineradoras. Estudos de biopolímeros de poliuretanos a partir do óleo de mamona também se mostraram eficientes em outras áreas de aplicação, como estética e beleza.
O poliuretano, no geral, possui mais benefícios do que o PVC, e exerce sua função de maneira excelente quando o assunto é elasticidade e resistência. Calças jeans com elastano modelam e comportam o corpo muito bem, no entanto, um couro sintético de poliuretano pode ainda ser insuficiente, se desgastando com facilidade após algumas vezes usado.
Como etiquetar os "couros"
Como mostrado anteriormente, os processos de fabricação e as propriedades de cada material são bem diferentes entre si, e, na etiquetagem, isso se repete.
Ao etiquetar o couro, é preciso seguir o Código de Defesa do Consumidor, fornecendo informações essenciais para o uso e consumo do material, como composição, país de origem, dimensões, identificação fiscal, etc. O couro não é um produto têxtil, por isso, não se preocupe em seguir as diretrizes do INMETRO, pois elas não se aplicam aqui.
Pelo fato de que tanto o couro verdadeiro como o “couro artificial” são usados na moda, pode haver confusão por parte dos consumidores em relação às propriedades de cada material, e se um pode substituir o outro. Por conta disso, a Legislação prevê algumas orientações sobre como etiquetar e informar a composição desses materiais.
Para estabelecer uma venda honesta ao consumidor sobre a composição do material, existe uma lei que proíbe o uso de expressões designadas aos tecidos sintéticos que “simulam” o couro ou se chamam de couro. De acordo com a Lei 4.888/65, é proibida a venda de produtos sob o nome de “couro” (seguido de qualquer qualidade dele, seja “ecológico” ou “sintético”), que não foram obtidos exclusivamente da pele do animal.
Assim, toda divulgação de “couro ecológico”, “couro vegano”, “couro sintético”, entre outras, está errada e passível de multa.
Para etiquetar essas alternativas, é simples: basta seguir a Portaria nº118 do INMETRO, onde está previsto, no Apêndice A, a lista de fibras que são consideradas como matéria-prima para produtos têxteis.
Nesse caso, utilize o nosso Guia de Etiquetagem Têxtil para saber como etiquetar os produtos de poliuretano e policloreto de vinila! Nosso material é completo e atualizado com a legislação vigente, para você não ter nenhuma dor de cabeça com a fiscalização.
Aprofunde o seu conhecimento!

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