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"Tarifaço" de TrumpQual será a reação dos demais países?Guerra comercial entre EUA e ChinaComo isso se deu?Como a guerra comercial afeta os países?E o setor têxtil?Gostou do Conteúdo?

Guerra comercial entre EUA e China: Como afeta a Indústria da Moda?

09/04/2025
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Trump impõe tarifas a 180 países e reacende a guerra comercial. Entenda os impactos globais, especialmente no setor de moda e têxtil.

"Tarifaço" de Trump

Nas últimas semanas, o governo americano contrariou a tendência de integração global que, há mais de 50 anos, vem gerando resultados positivos. Em uma guinada protecionista, os Estados Unidos anunciaram a aplicação de tarifas sobre produtos provenientes de 180 países.

"Tarifa é a palavra mais bonita do dicionário" — há muito tempo Trump já deixou claro seu apoio às políticas comerciais protecionistas. Durante seu primeiro mandato, houve uma tentativa de iniciar uma guerra comercial com a China, que acabou sendo interrompida com a chegada do lockdown. Desta vez, no entanto, o cenário é diferente. O processo tem ocorrido de forma muito mais acelerada: enquanto as primeiras medidas levaram cerca de 14 meses para se consolidar, agora levaram apenas 20 dias.

Qual será a reação dos demais países?

Dois cenários principais podem surgir — um mais favorável que o outro. No melhor dos casos, os países, ao perceberem o isolamento dos Estados Unidos, podem se coordenar e buscar maior integração entre si, a fim de mitigar os efeitos. Embora seja o caminho mais positivo, é também o mais complexo de ser implementado. No cenário oposto, outras nações podem seguir o exemplo estadunidense e adotar posturas mais protecionistas, o que agravaria o isolamento global e poderia desencadear um aumento generalizado da inflação.

Diversos países já reagiram ao anúncio de Trump prometendo retaliações com novas tarifas e instruindo suas empresas a suspenderem investimentos nos Estados Unidos. A decisão provocou turbulência nos mercados, que passaram a temer uma guerra comercial em larga escala entre as maiores economias globais — especialmente China e nações europeias, alvos das tarifas mais severas.

Guerra comercial entre EUA e China

Até a semana passada, se um varejista estadunidense comprasse um produto produzido na China de, por exemplo, US$100, teria de pagar 54% sobre o valor para importar o produto para o país. Ou seja, pagaria no total US$154 pelo produto final.

Hoje, pelo mesmo produto, o varejista pagaria cerca de US$204. Isso porque o governo americano impôs uma nova tarifa, de 50%, sobre as taxas já impostas para a China. Os produtos chineses agora vão receber uma tarifa de até 104% para entrar no país.

Como isso se deu?

O presidente Trump impôs 34% adicionais às mercadorias chinesas, que se somariam aos 20% anunciados em fevereiro. Como resposta, 2 dias depois, o governo chinês também adicionou um percentual cumulativo de 34% aos produtos americanos, que começará a valer a partir de 10 de Abril.

A Casa Branca solicitou que a China reconsiderasse sua decisão e alertou que, caso contrário, haveria consequências. 2 dias depois, como resposta, o governo chinês afirmou que enfrentaria até o fim o que chamou de “chantagens tarifárias” de Trump. Diante disso, o presidente norte-americano decidiu dobrar a tarifa, que chegaria a um total de 104%.

Como a guerra comercial afeta os países?

Nos EUA e China, temos consequências distintas. 

Com as tarifas elevadas em vigor, os empresários americanos que utilizam insumos chineses têm algumas opções: Negociar os preços; Negociar com novos fornecedores (internos ou externos); Aceitar a queda na margem de lucro; ou Encarecer os produtos. Segundo o economista Lívio Ribeiro, do Instituo brasileiro de Economia da FGVE, haverá um choque inflacionário nos Estados Unidos e, consequentemente, um impacto na governabilidade.

Na China, cujo mercado já se preparava para uma piora das relações comerciais nos últimos anos com políticas de estímulo estatal para dar sustentação ao crescimento doméstico, haverá uma desorganização econômica.

Em outros países, por envolver as duas maiores economias do mundo, a guerra comercial deixa os mercados financeiros em constante estado de alerta. Nesta semana, bolsas ao redor do globo registraram quedas significativas após os primeiros indícios de que nenhuma das potências estaria disposta a ceder. A incerteza persiste, já que novas reações — especialmente por parte da China — ainda podem surgir.

No Brasil, já vemos consequências: Ontem, o dólar fechou a R$5,99. O Real é a terceira moeda que mais perdeu valor desde o “tarifaço”.

Segundo Lívio, a guerra comercial poderia desencadear uma reação em cadeia caso os Estados Unidos interrompam completamente a importação de produtos chineses. Outros países — especialmente aqueles com estruturas produtivas sólidas e lobbies comerciais bem organizados — tenderiam a adotar tarifas contra a China. Isso porque, diante de um excedente de produtos, o governo chinês buscaria novos mercados para escoar sua produção a preços mais baixos, aumentando a concorrência com as indústrias locais. Nesse cenário, os produtores desses países poderiam pressionar seus governos por medidas de proteção para preservar a competitividade da indústria nacional.

E o setor têxtil?

A decisão do governo Trump de aplicar tarifas de 37% sobre produtos de algodão provenientes de Bangladesh gerou uma reação imediata no setor têxtil global. Como resposta, diversas empresas norte-americanas começaram a suspender pedidos, afetando diretamente a indústria de vestuário de Bangladesh — o segundo maior exportador do mundo nesse segmento.

Com o consumo interno em queda, a demanda por vestuário importado pode diminuir, o que compromete o crescimento das exportações bangladeshianas e ameaça a estabilidade econômica de um país fortemente dependente desse setor. Mas também, ao encarecer os produtos importados, as tarifas tendem a pressionar os preços no varejo norte-americano, contribuindo para o aumento da inflação. 

O protecionismo pode incentivar marcas a trazerem a produção de volta para os EUA. No entanto, os custos de produção internos são mais altos, e o setor têxtil americano tem uma capacidade limitada. Se os preços subirem demais, o consumidor americano pode diminuir o consumo de roupas e acessórios, especialmente de marcas que dependem fortemente de importações. Isso desacelera o setor de varejo de moda e pode afetar desde grandes redes até marcas independentes.

As tarifas também podem impactar o setor têxtil e de moda caso as marcas americanas comecem a redirecionar seus fornecedores para países não afetados pelas tarifas, como Brasil, Vietnã ou México. Isso pode beneficiar alguns mercados emergentes, mas também pode gerar instabilidade nas cadeias produtivas já consolidadas.

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