Marcas Francesas Começam a Comunicar Impacto Ambiental de Suas Roupas
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O sistema de cálculo de custo ambiental (coût environnemental) de artigos do vestuário, Écobalyse, passou a ser utilizado em etiquetas têxteis no início de outubro de 2025. Saiba mais sobre o decreto e como funciona o cálculo no artigo.

No dia 1 de outubro de 2025, o Governo Francês, através do Ministère de l’Écologie (Ministério de Ecologia), publicou o Decreto nº2025-957, junto de um Arrêté (documento similar a portarias, de hierarquia legislativa inferior), documento que aponta requisitos sobre o cálculo e comunicação do impacto ambiental (coût environnemental) de artigos de vestuário, o eco-score (pontuação ecológica), sendo isentos os produtos cama, mesa e banho, descartáveis, entre outros têxteis.
O decreto está alinhado com o regulamento da UE sobre pegada ecológica de produto, sendo a única diferença entre os documentos a obrigatoriedade em comunicar aos consumidores sobre o valor desse cálculo ambiental. A ferramenta utilizada para fazer o eco-score se chama Écobalyse, criada pelo Ministério de Ecologia e pelo ADEME, já pode ser testada por consumidores e empresas no mundo todo (embora o cálculo considere apenas produtos consumidos e descartados na França).
O sistema Écobalyse está disponível para uso desde 2024 mas foi apenas na metade desse ano que começou a ser implantado como requisito para importadores, distribuidores e marcas francesas. Agora, no mês de outubro, o aval para os produtores de moda da França foi de disponibilizar o cálculo ambiental, feito pelo Écobalyse, em algum meio fixado no produto ou na embalagem, seja por uma etiqueta ou por uma marquage (impressão, estampa). Embora a adoção do eco-score para produtos de vestuário vendidos na França ainda seja voluntária, muitas marcas já devem se preparar para adaptar seu processo de etiquetagem e de produção, pois o cálculo passará a ser obrigatório em abril de 2026.
O regulamento é um outro marco importante no projeto de transição ecológica e de sustentabilidade da França, junto da “Lei anti fast-fashion”, aprovada meses atrás pelo legislativo francês. Dessa forma, não apenas a publicidade é regulada no país como também os produtos individuais devem comunicar seu impacto ambiental individual.
Para exportadores brasileiros que mantém negócios com a França, essa é uma notícia de extrema importância, já que a obrigatoriedade do eco-score na etiqueta ou embalagem do produto passará a valer a partir de abril de 2026, portanto, marcas e confecções nacionais terão menos de seis meses para atualizar seus modelos de negócio para a captação e conversão de dados para o cálculo do seu impacto ambiental de cada produto comercializado.
Veja a seguir o que é o eco-score, em detalhes, e qual foi sua linha do tempo até chegar na recém aprovação pelo Governo Francês.
Eco-score têxtil: mensurando o impacto dos têxteis
O eco-score é um cálculo feito através do sistema Écobalyse para mensurar o impacto ambiental de produtos do vestuário a partir de alguns parâmetros. Esses parâmetros se baseiam na metodologia do cálculo PEF (Product Environmental Footprint), que faz parte do regulamento da UE sobre pegada ecológica mencionado anteriormente, porém, com algumas adições de critérios.
O PEF mede o impacto dos produtos acerca do seu aumento do gás de efeito estufa e consumo de água, a metodologia francesa reúne as mesmas medidas e adiciona os dados de uso de produtos químicos e liberação de microfibras, além de considerar o impacto de pós-consumo (utilização e descarte).
Apresentado pela primeira vez para votação pública no final do ano passado, o eco-score ganhou força no país e agora se tornou uma das principais estratégias de rumo à economia circular a serem reconhecidas, não apenas no país, mas em toda a EU. Assemelhando-se ao “nutri-score”, uma medida para medir o valor nutricional de alimentos na França, o eco-score é a primeira metodologia usada
Agora, o projeto se encontra em uma fase de utilização voluntária por parte de empresas para alimentar o seu banco de dados do Écobalyse e, posteriormente, um período de treinamento à população sobre como usar esse sistema e entender os valores de impacto ambiental.
Écobalyse e a nova etiqueta sustentável
A partir do cálculo de impactos ambientais realizado no site Écobalyse, que já consta com alguns modelos a serem testados (com diferentes tipos de artigos de vestuário, separando-os por matéria-prima e origem de fabricação), uma etiqueta pode ser gerada medindo os pontos de impacto daquela peça. A leitura é simples, quanto maior for o número, maior é o seu impacto ambiental.
Essa nova etiqueta, que pode vir tanto nas informações de preço quanto nas de cuidado de conservação (ainda não há uma diretriz a respeito de onde dispor o dado), apresenta os “points d’impact” ou, pontos de impacto, de cada peça. O cálculo leva em consideração as diversas etapas da cadeia têxtil, indo desde o sourcing da matéria-prima, passando pela fiação, tecelagem ou malharia, beneficiamento e lavanderia, até chegar na distribuição e fases pós-consumo. Isso tudo, claro, contando com a variável de localidade de cada etapa (com exceção das finais, que são fixas na França).
O intuito e objetivo dessa nova etiqueta é que, no futuro, os consumidores franceses (e com esperança, de outros países) possam ler a etiqueta de custo ambiental da mesma forma que leem uma etiqueta de preço ou de tamanho, sendo igual ou até mais importante que essas informações.
Essa não é a primeira ação a barrar o fast-fashion na França
Vale lembrar que, por detrás dos objetivos e acordos em direção a um mundo mais sustentável, existem negociações para fortalecer o negócio local e impedir o avanço de mercados exteriores no país. O eco-score e a etiqueta de custo ambiental com certeza fazem parte desse plano, mas não é a primeira estratégia a entrar em ação.
No meio desse ano, uma lei que proíbe a publicidade de “ultra fast-fashions” na França foi aprovada pelo senado do país e se firmou como a primeira ação direta para impedir o avanço de marcas como Shein e Temu aos consumidores, chegando a multar as gigantes chinesas por cada peça vendida sob a violação da lei.
Você pode ler mais sobre essa lei “anti fast-fashion” no nosso artigo aqui.
De olho nos próximos passos
Agora que a França tomou a inciativa, cabe ao resto do mundo, incluindo o Brasil, a ficar de olho nas relações comerciais e diplomáticas com o país, mantendo um radar sobre as novidades e possíveis impactos na relação de legislação têxtil e de etiquetagem.
Aprofunde o seu conhecimento!

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